Transformação do mercado de trabalho: estudo da Seplan aponta que IA generativa influenciará 1,24 milhão de postos de trabalho em Santa Catarina
O mercado de trabalho em Santa Catarina tem 27,6% das ocupações expostas às influências da Inteligência Artificial Generativa (IA generativa), em algum grau, o que corresponde a 1,24 milhão de trabalhadores. A maior parte desse contingente (62,6%) encontra-se em níveis moderados de exposição, em que a tecnologia pode complementar as atividades, ampliando a produtividade, a inovação e a eficiência.
No mês do trabalho, a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) lança uma nova edição do Boletim Trimestral de Indicadores do Trabalho, tendo como destaque os impactos da IA generativa no mercado de trabalho catarinense. As análises qualitativas e quantitativas foram feitas com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do quarto trimestre de 2025. A metodologia adotada obedeceu os procedimentos metodológicos desenvolvidos pelos pesquisadores da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
“O ambiente laboral catarinense está especialmente propício à rápida assimilação de tecnologias digitais, tornando a IA generativa uma aliada estratégica para promover ganhos significativos de produtividade, aprimorar processos e agregar conhecimentos. Santa Catarina tem um contexto considerado de pleno emprego, com a menor taxa de desemprego do país. Temos um mercado de trabalho qualificado e diversificado e políticas públicas direcionadas ao fortalecimento e ampliação da Rede Catarinense de Centros de Inovação. Outro diferencial é a infraestrutura digital em Santa Catarina, que possui 96,5% dos domicílios com acesso à internet, conforme a PNAD Contínua Anual 2024. Esse acesso é essencial para que o trabalhador possa se adaptar à nova realidade tecnológica e utilizar as ferramentas a seu favor”, explica o Secretário de Estado do Planejamento, Arão Josino.
Baixa exposição à IA generativa
Para entender como a Inteligência Artificial Generativa pode afetar o trabalho em Santa Catarina, a Seplan baseou-se originalmente na Classificação Internacional de Ocupações (ISCO-08), que é uma referência mundial para análise de profissões. Essas foram correlacionadas à Classificação de Ocupações para Pesquisas Domiciliares (COD), utilizada no Brasil. Os estudos foram feitos com base nos microdados da PNAD Contínua do 4º trimestre de 2025, com a utilização da metodologia proposta pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Cada ocupação foi classificada em um dos seis níveis de exposição à IA, conforme o grau de exposição à automação e a variabilidade das tarefas. Os níveis vão desde ocupações sem exposição até aquelas com alta exposição à IA generativa.
As duas primeiras classificações correspondem a 71,6% da população ocupada em SC, em ocupações consideradas sem exposição ou com exposição mínima à IA. Nelas, as tarefas realizadas possuem baixa probabilidade de serem automatizadas. Isto porque geralmente envolvem atividades físicas ou sensoriais que a máquina ainda não consegue replicar. Detalhando, as ocupações “Não expostas” representam 54,5% da população ocupada, tendo baixo grau de automação e tarefas praticamente inalteradas pela IA. As três maiores ocupações são de Pedreiros; Agricultores e trabalhadores qualificados em atividades da agricultura (hortas, viveiros e jardins); e Trabalhadores dos serviços domésticos em geral. As ocupações com “Exposição mínima” reúnem 17,1% da população ocupada, com limitada exposição à IA, tendo algumas tarefas moderadamente automatizadas e impacto global baixo. As três maiores proporções são as de Condutores de caminhões pesados; Trabalhadores de controle de abastecimento e estoques; e Advogados e juristas.

Gradientes com exposição à IA generativa
Os quatro gradientes seguintes correspondem a 27,6% da população ocupada em SC, indo do moderado ao alto nível de exposição à IA. No “Gradiente 1”, a exposição da maioria das tarefas da ocupação é baixa ou moderada, com a tecnologia funcionando principalmente como apoio em determinadas tarefas, sem modificar substancialmente o perfil ou as atividades centrais. As três ocupações com as maiores proporções são as de Balconistas e vendedores de lojas; Condutores de automóveis, táxis e caminhonetes; e Caixas e expedidores de bilhetes. No “Gradiente 2”, o impacto é moderado, afetando algumas atividades enquanto outras permanecem intactas. As três maiores são de Comerciantes de lojas; Dirigentes de administração e de serviços não classificados anteriormente; e Vendedores a domicílio. A junção desses dois gradientes corresponde a 17,3% da força de trabalho ocupada no estado.
No “Gradiente 3”, há uma significativa exposição à IA, com grande parte das tarefas automatizáveis e em expansão. As 3 mais numerosas são de Recepcionistas em geral; Contadores; e Profissionais da publicidade e da comercialização. Por fim, no “Gradiente 4”, há alta exposição, sendo grande parte das tarefas de elevado potencial de automação. As três principais são de Escriturários gerais; Vendedores por telefone; e Analistas financeiros. A junção desses dois gradientes corresponde a 10,3% da força de trabalho ocupada em SC.

Santa Catarina é o 6° estado com maior parcela dos trabalhadores em ocupações de alto grau de exposição, ou seja, nos gradientes 3 e 4, atrás do Distrito Federal (16,5%), Roraima (12,5%), São Paulo (12,4%), Rio de Janeiro (11,2%) e Acre (10,4%). Em SC, os grandes grupamentos do Comércio e dos Serviços apresentaram a maior participação de trabalhadores sujeitos à exposição à IA generativa.
Perfis de exposição à IA
Trabalhadores com ensino superior incompleto ou completo são os mais expostos à IA generativa, mas muitos deles atuam em funções de menor vulnerabilidade (gradientes 1 e 2). Por outro lado, entre os não expostos, predominam aqueles com menor escolaridade. De acordo com esses indicadores, ao contrário do que ocorreu na mecanização, a exposição atual à IA não afeta prioritariamente os menos qualificados. Complementarmente, verifica-se que os trabalhadores com os menores níveis de rendimento, de até dois salários mínimos, são menos expostos à IA, enquanto os de renda superior a 20 salários mínimos são mais expostos.
Entre as mulheres, 15% estão inseridas nos gradientes 3 e 4, de maior exposição à IA, índice maior que o dobro do registrado entre os homens, de 6,6%. Já a análise por faixa etária revela que a maior proporção de trabalhadores expostos à IA está entre os grupos mais jovens de trabalhadores, entre 14 e 24 anos (19,3%).
Capacitação
Para preparar os trabalhadores para essa nova realidade, o Governo de Santa Catarina oferece cursos gratuitos de Inteligência Artificial pelo programa SCTEC, uma iniciativa da Secretaria Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o SENAI/SC.
A iniciativa, totalmente gratuita, reúne trilhas de aprendizagem e ações de empregabilidade voltadas a preparar os catarinenses para as novas exigências do mercado de trabalho e ainda ensina a população em geral a utilizar a inteligência artificial (IA).
As inscrições podem ser feitas pelo site sctec.scti.sc.gov.br e podem participar residentes de Santa Catarina a partir de 14 anos, incluindo iniciantes, trabalhadores em transição de carreira e profissionais que buscam aperfeiçoamento.
Acesse abaixo o Boletim Trimestral de Indicadores do Trabalho para mais informações sobre a exposição de trabalhadores à IA generativa.
Micheline Krause – Especialista em comunicação Fapesc/Seplan
Informações adicionais: comunicacao@seplan.sc.gov.br